Relatório final de reflexão da Oficina de Formação 1 – “Concepção, Desenvolvimento e Avaliação de Projecto de Gestão Curricular” – orientada pelo Dr. Paulo Reis
Formando: Paulo Garrido
Esta Oficina de Formação permitiu ao professor traçar uma estratégia de acção da sua actividade docente, alicerçada num processo de construção, avaliação e reconstrução do Projecto Curricular de Turma (PCT) em contexto das linhas orientadoras do Projecto Curricular de Escola (PCE), documento que reconceptualiza o currículo nacional e os programas das disciplinas em função do Projecto Educativo da Escola (PEE).
Apoiada em legislação, estas interessantes sessões, permitem ao professor ficar a perceber melhor o papel que deve desempenhar no processo de gestão dos diferentes níveis de concretização curricular, da sua acção de construção e na sua importante e contínua atitude de avaliação.
O sucesso do projecto educativo de uma escola passa pela implementação de um coerente sistema de avaliação desse mesmo processo educativo, estruturado nos seus diferentes níveis em critérios e respectivos indicadores. Passa pela integração dos alunos e professores e de todos os agentes educativos, da comunidade educativa, dos pais e Encarregados de Educação, das autarquias locais e do mundo empresarial e industrial envolvente ao meio escolar. Estes agentes devem sentir-se integrados na construção de um PEE e, mais concretamente ao nível das turmas, na construção do PCT nas suas variadas dimensões. Não é preciso ir muito longe para fazer um mero exercício de reflexão e constatar que muitas das vezes os alunos não estão suficientemente envolvidos na construção do seu PCT, vendo a estratégia de acção dos seus professores limitada a um diagnóstico, que trace um perfil mais ou menos característico da turma em questão.
É claro que é importante um correcto diagnóstico da turma, do seu contexto familiar e da sua inserção social e do mercado de trabalho, mas não é menos importante sentir a opinião dos pais e dos Encarregados de Educação que têm uma palavra a dizer na conceptualização do PEE que determina fortemente o PCT.
Por um lado temos o currículo nacional que impõe programas e aferição de competências, mas por outro lado temos um contexto de realidade social que exige da escola mudanças e adaptações à sua realidade. O professor encontra-se num paradigma complexo onde deverá evidentemente atender ao currículo e no entanto contextualizar essas mudanças e estratégias, justificando a sua decisão e intervenção em sede do PCT.
O sucesso educativo do aluno passa também pelo grau de consciência da sua intervenção no sistema de gestão curricular. Um aluno deve ter bem explícito os critérios gerais e específicos com que vai ser avaliado a determinada disciplina. Deve participar nas decisões a nível do Plano Anual de Actividades (PAA) e deve conhecer suficientemente bem as questões organizativas da escola, nomeadamente o Regulamento Interno (RI). Seria desejável uma igual participação e consciência dos respectivos Encarregados de Educação. Nos tempos que correm, assiste-se com frequência a um “divórcio” dos Encarregados de Educação relativamente à vida escolar dos seus Educandos. Compete também ao professor promover esta afinidade com a vida escolar, com o PCT, com as actividades de complemento curricular.
A título de exemplo, e num caso concreto de uma turma problemática CEF (Curso de Educação e Formação) onde estive envolvido directamente, resolveram-se grande parte dos problemas de indisciplina e de absentismo envolvendo mais os respectivos Encarregados de Educação que pensavam estar tudo a correr bem na escola com os seus educandos, enquanto estes partiam vidros e faltavam às aulas. Fizeram-se várias reuniões com estes pais, fazendo-os sentirem-se aliados dos professores e parte importante da colaboração em estratégias de acção. Estes pais redefiniram aspectos importantes do PCT. Os resultados foram surpreendentes. A indisciplina diminuiu, os alunos ficaram mais envolvidos nos projectos aglutinadores e os pais mais satisfeitos.
Nesta oficina de formação aprendemos a avaliar o grau de concretização de um PCE. Abordamos as dimensões fundamentais de um PCE e a sua avaliação por meio de critérios e indicadores. Aprendemos a utilizar instrumentos que possibilitam tal avaliação, nomeadamente: a análise de conteúdo; entrevista ao Director; questionários de opinião a alunos, docentes, Encarregados de Educação; documentos referenciais de avaliação de estrutura.
Muito haveria a dizer sobre a concepção do PCT. Posso referir alguns pontos chave como um correcto diagnóstico do perfil dos alunos, do perfil pedagógico e da competência científica do docente, das parcerias da indústria e autarquias locais, dos recursos educativos e do grau de possibilidades de utilização das TIC, do desenvolvimento curricular (que vai “beber” no PCE), etc.
É fundamental uma reformulação contínua do PCT, fundamentando a eventual diferenciação pedagógica, o desempenho do docente e as estratégias utilizadas para determinada turma. É fundamental uma articulação interdisciplinar. É necessária uma avaliação que nos permita corrigir o que está mal. Deverá ser feito um relatório final, ferramenta de orientação para o futuro, onde serão focados aspectos positivos e menos positivos - as ameaças. Deverá ser feito um relatório do balanço das actividades desenvolvidas (PAA).
Não querendo alongar-me mais nesta reflexão e, em jeito de conclusão, gostaria de agradecer o empenho e dedicação que o Dr. Paulo Reis nos facultou ao longo destas sessões. Palavras de sabedoria que nos ajudam a reflectir, como profissionais da educação, na complexa arte de ensinar. Alguém disse que “um professor só pode ensinar se conseguir aprender”. É com este sentimento que sempre exerço a minha função docente - a de aprender. E esta oficina ajudou-me a perceber de uma forma mais estruturada e clara melhores horizontes da acção pedagógica docente. Agradeço também ao Dr. Luís Henrique pela forma sintética e detalhada que apresentou o seu debate em torno da avaliação do aluno.
Algumas frases que apontei durante as sessões…
“As exigências que hoje se colocam a um professor não é o paradigma de um técnico vendedor de currículos”
“O PCT deverá comprovar, evidenciar e justificar o trabalho do professor”
“Um sumário é um meio de evidenciar o trabalho do professor…”
“Avaliação integrada da escola: avaliação do desempenho docente, avaliação da organização escolar, avaliação das aprendizagens dos alunos”
“A avaliação é sumativa, formativa e formadora”
“A educação importa os conceitos do mundo empresarial. Mas é também o mundo empresarial que descarta um profissional formado numa escola…um aluno deverá ter a competência de adaptar-se a novas situações do mercado de trabalho”
“Nunca se vê uma competência, apenas se observam os seus efeitos”
Alguma informação pessoal:
- Formação em Engª Electrotécnica e de Computadores na UP;
- Profissionalização em Matemática;
- Profissionalização em Informática;
- Formador na área das Tecnologias Educativas em vários centros de formação
- Trabalhei alguns anos na indústria donde obtive alguma experiência daquilo que uma empresa deseja de uma escola
Nota:
“Este texto pode ser encontrado num dos meus blogs pesquisável por “Paulo Garrido” e Ancorensis”
Paulo Jorge Miranda Garrido
14 de Junho de 2010